REVIEW #5 - TO THE MOON


 Atenção: esse texto pode conter leves spoilers de To the Moon

Durante muitos anos fiquei sem jogar videogame. No passado joguei a trilogia original de Crash Bandicoot do Playstation e Super Mario World. Sim, poucos jogos. Mas em 2018 resolvi retornar ao mundo dos games. Até o momento joguei seis jogos - Doki Doki Literature Club, Old Man's Journey, Virginia, Puyo Puyo Tetris, Limbo e To the Moon. O último deles, um jogo emocionante e envolvente que abordarei na review.

To the Moon é  baseado em memórias  e em uma tecnologia que permite modificá-las. Funcionários de uma empresa fictícia chamada Sigmund Corp. ajudam pessoas próximas da morte a realizarem um último desejo. No jogo, dois funcionários da corporação, a: Dra. Eva Rosalene e Dr. Neil Watts são contratados para realizar o desejo de Johnny - um senhorzinho enfermo. O desejo? O próprio nome do jogo é capaz de sugerir: ir à lua. Mas o que está por trás do desejo não é claro de imediato e ao longo do jogo vamos descobrindo situações e sentimentos que o motivaram.

Início do Jogo, onde os doutores tentam achar a residência de seu cliente Jhonny.

O jogo é graficamente e mecanicamente simples, ele foi criado pelo talentoso Kan Gao [http://freebirdgames.com/] na engine RPG Maker XP e pode ser jogado apenas com o mouse. Ele é dividido em três atos. Nesses atos, acompanhamos a viagem de Eva e Neil pelas memórias de Johnny a fim de conhecer a história de vida do velhinho e possibilitar a realização de seu sonho - afinal, foram contratados para tal. Num primeiro momento, o jogo se passa da velhice para a juventude. Uma espécie de biografia vista retrogradamente passando por todas as fases da vida do nosso personagem, acompanhando os desafios de sua vida, seus anseios e realizações. 

Apesar de simples, o jogo é dinâmico: coletamos informações, memórias, observamos cenas, presenciamos conversas e passamos a entender aos poucos o desejo de Johnny de ir à lua. O game conta a vida que Johnny levou com sua saudosa esposa River, e sua relação com sua família e amigos. Revela momentos de alegria, amizade, companheirismo e, também, de incertezas e tristeza, e conta com o humor cítrico entre a Dra Rosalene e o Dr Neil, os quais comentam toda a vida de Johnny e estão sempre discordando um do outro. 

Na parte superior da imagem podemos ver a timeline da vida de Johnny.

O jogo é guiado por uma linha de idades que segue da velhice para juventude. O jogador pode encontrar essa linha ao posicionar o mouse superiormente na tela. Para progredir por essa linha, o jogador deve encontrar, preparar e ativar memórias do personagem. Como fazer isso? Procurando no cenário cinco elementos que facilitarão o acesso à uma memória - esses facilitadores podem ser conversas, paisagens ou objetos. Cada facilitador encontrado resulta no aparecimento de um marcador na tela (representado por pequenas esferas coloridas em cinco cores  diferentes que “acendem” ao serem encontradas).

Na parte inferior da imagem é possível ver as esferas que representam os links de memória de Johnny.

Ao “acender” as cinco esferas, é possível “preparar” uma memória (que está materializada em algum objeto presente no cenário). O “preparo” da memória é feito ao desvendarmos um puzzle, no qual é necessário montar a  imagem da memória encontrada. Após preparar a memória, temos de ativá-la e, dessa forma, podemos seguir na busca de novas memórias.

Os puzzles pedem ao jogador que desembaralhe imagens de objetos importantes na memória de Johnny

É importante dizer que os funcionários da Sigmund Corp. podem implantar memórias artificiais e modificar memórias passadas para realizar o desejo de seus clientes. Contudo, é preciso ter cuidado quando se interfere em memórias, pois o resultado pode não ser o almejado.

Isso faz com que, durante todo o jogo, o jogador questione as decisões e ações tomadas por Rosalene e Watts, se perguntando se elas serão benéficas ou maléficas ao fim da história. Nesse aspecto, o jogador é passivo. Não pode influenciar nas decisões, apenas acompanhar a história até seu desfecho. 

E é uma história emocionante (cheguei a derramar algumas lágrimas). Ao jogar, acompanhei a trajetória de vida de um senhorzinho a beira da morte e a tentativa de ter seu sonho realizado.  Aos poucos, entendi a vida de Johnny. Conheci sua esposa e amigos. Vi suas alegrias e tristezas mais profundas. Julguei algumas de suas ações e admirei outras. Desejei o melhor para o fim, torci e continuei jogando. Inclusive, estou adorando a forma como alguns jogos prendem a atenção e curiosidade do jogador até o final. To the Moon é um desses jogos. Recomendo para novos jogadores por sua jogabilidade simples e sua história envolvente. Pelo menos, tenha uma certeza se optar por jogá-lo: você irá presenciar uma linda história e, enquanto essa história é contada, você refletirá sobre a sua própria vida e história.

E, para saber o que acontece com nosso velhinho Johnny, você terá que jogar o jogo. Depois disso, comente o que achou aqui no post! Se você já jogou, seu comentário também é bem-vindo. E se quiser me recomendar mais jogos pra minha lista de 2018, agradeço. 

Título: To the Moon
Plataformas: Microsoft Windows, Android, Linux, MAC, iOS
Desenvolvedor: Freebird Games
Publicadora: Freebird Games
Data de lançamento: 01 de Novembro de 2011
Observação: Ótima tradução para Português do Brasil, feita pelo time do http://jogabilida.de

Comentários

  1. Da primeira vez que joguei To the Moon eu chorei igual uma criança... E depois, quando vi você jogando só de relance eu chorei de novo uhasuhaushaushausha

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  2. Todas as pessoas para as quais apresentei esse jogo me agradecem até hoje. Não existem muitos jogos como To The Moon, e isso é uma pena.

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