REVIEW #1 - DOKI DOKI LITERATURE CLUB (SPOILERS)



[Spoiler Alert] Não leia esse post se você pretende jogar Doki Doki Literature Club.

Esqueça a foto de capa desse post. Essas garotinhas felizes e saltitantes são só um pretexto para alguém que queria fazer um jogo surpreendente, com quebras de quarta parede inesperadas para o gênero do jogo, cenas pesadíssimas e perturbadoras de manipulação, autoflagelamento e suicídio.

Doki Doki Literature Club, que se formos traduzir para o português ficaria mais ou menos “Tu-dun Tu-dun Clube de Literatura” (já que “Doki Doki” é uma onomatopeia para o som dos batimentos do coração, segundo o fórum do jogo no steam), é uma visual novel de baixo orçamento (põe baixo nisso) que leva o jogador a pensar que ele irá jogar apenas mais um jogo do gênero Visual Novel / Dating Simulator.

Dating Simulator são jogos muito fofinhos em que o objetivo é dialogar com NPCs até que o personagem principal tenha um encontro com algum deles e acabem juntos. Claro que essa é apenas a premissa básica e que devem haver exceções, mas isso que descrevi é o que uma pessoa naturalmente espera de Doki Doki Literature Club quando vê a apresentação do jogo.

O início do jogo faz você se situar na “slice-of-life” de um estudante colegial japonês que não é muito sociável e que, forçado por uma vizinha e amiga, decide entrar para um clube escolar. No brasil não é muito comum o conceito de “clubes” nas escolas, mas em outros países é comum que os estudantes participem de atividades extracurriculares para desenvolvedor habilidades que não são vistas em sala de aula, tais como jornalismo, esportes, trabalhos manuais, etc.

O personagem principal, que no caso é você, decide entrar para um novo clube, recentemente formado, em que há apenas 4 membros: Sayori (sua vizinha), Monika (Presidente do Clube), Yuri e Natsuki. E como em vários animes, mangás e visual novels, você é o garanhão da turma, todas as meninas te desejam.

Uma das principais (e únicas) mecânicas do jogo é escrever poemas que agradem as meninas do clube. Para isso, você deve escolher palavras (dentro de uma lista de palavras) focando agradar uma delas. Veja como, na imagem abaixo:



Essas redações são feitas com o intuíto de ajudar os membros a melhorar seu “estilo de escrita”, e a ideia é que cada membro escreva um poema e compartilhe com os outros membros do grupo no dia seguinte. Quem idealiza essa atividade é a presidente do clube, Monika, que é a mais confiante das meninas.


No início do jogo, é comum que nós escolhamos um crush e comecemos a escrever poemas para agradar a essa pessoa especifica. Porém, como todas as meninas gostam do jogador principal (exceto a confiante Monika), começamos a perceber que com o passar dos dias as meninas começam a alterar o seu estilo de escrita para que fique parecido com o do jogador principal.

Até aí tudo bem, são meninas tentando agradar o rapaz, que é o garanhão da bagaça. Porém, uma das personagens, a confiante Monika, começa a dar indícios de que é autoconsciente e sabe de que tudo se trata de um jogo. O primeiro indício dessa autoconsciência é que Monika diz para você que é sempre bom salvar o jogo, caso você queira mudar alguma decisão (?).

Claramente Monika tenta te manipular (com os feedbacks de seus poemas) para que você se aproxime ou se afaste de uma determinada menina. Ela também manipula as meninas diversas vezes e isso faz com que você comece a ficar desconfiado dessa danada.

Daqui para frente não vou entrar em detalhes sobre tudo o que ocorre no jogo, mas sim focar em como o desenvolvedor do jogo usou a quebra da quarta parede para te pegar desprevenido e te deixar com um leve cagaço, ok?

Imagine um dating simulator fofinho. Imaginou? Agora, de repente uma das personagens parece quebrar a quarta parede e querer falar com você e interferir no fluxo do jogo para que seu desejo se realize. E sim, o desejo dela não poderia ser diferente.... Ela também quer ficar com você :)

Monika é a maneira como o produtor do jogo, Dan Salvato, decidiu mexer com as expectativas de quem está jogando. Ele criou uma personagem que, em um grupo de 4, é a única que é autoconsciente, ou seja, ela sabe que tudo aquilo é um script, e que sempre vai acabar da mesma forma (com uma das 3 “amigas” namorando o personagem principal). Ela, como líder do clube de literatura, saca que o script faz com que Sayori, Yuri e Natsuki praticamente “se joguem” no personagem principal, e isso faz com que ela fique descontente, querendo alterar a forma como o jogo acontece.

Talvez isso esteja um pouco abstrato, então vamos exemplificar:

Uma das personagens do jogo, Sayori, que é vizinha do personagem principal sofre de depressão. Monika sabendo disso, resolve “sussurrar” palavras do tinhoso em seu ouvido, fazendo com que ela se sinta cada vez mais depressiva, até que, um dia, ela resolve se matar. Pesado, não? Mas isso não para por aí. A Monika é uma maluca perturbada e percebe que mesmo sem a Sayori na jogada, Yuri e Natsuki ainda podem atrapalhar seu objetivo e resolve aprontar com elas também.

Em certo momento, a psicopata-maluca-obsessiva da Monika percebe que a única forma dela se livrar das outras personagens, é mexendo na estrutura e código-fonte do jogo (WHAAAAT). Sim, a Monika decide apagar arquivos do jogo (e ela realmente faz isso, deletando arquivos da pasta do jogo no Windows). Isso faz com que sobrem somente você e ela. Agradável demais, não?

Outras quebras da quarta parede acontecem. Algumas te deixam até um pouco assustado, fazendo você se perguntar se esse jogo é uma espécie de ameaça para o seu computador. Mas ao terminar o jogo você percebe qual era a real intenção do desenvolvedor durante todo o jogo.

Concluindo, Dan Salvato tinha uma história maneiríssima para contar, porém, sem orçamento, resolveu desenvolver uma visual novel de baixo custo e disponibilizar o jogo gratuitamente na Steam. O Fato do jogo ser grátis atraiu muita gente para jogar, e muitas dessas pessoas não se preocuparam em ler Reviews ou ver vídeos no Youtube antes de jogar, afinal, é um jogo grátis! Ou seja, muita gente foi surpreendida, e é isso que me fez achar esse jogo tão interessante.

Bom, se você leu esse review sem jogar o jogo, saiba que talvez nem valha mais a pena jogá-lo (veja um vídeo no Youtube que é melhor). Caso você tenha lido isso depois de jogar, por favor, deixe sua opinião nos comentários, pois esse é o tipo de Jogo em que você quer ouvir/falar sobre ele com outras pessoas.


Jogo: Doki Doki Literature Club
Data de Lançamento: 14/12/2017
Desenvolvedora: Team Salvato
Gênero: Visual Novel
Plataformas: Windows, Mac, Linux
Preço: Grátis

Comentários

  1. Achei que foi até bom não ter muito dinheiro investido no jogo. Primeiro porque não seria grátis, mas principalmente porque esse estilo simples do jogo, sem mecânicas, desenho estático e tudo mais, é o disfarce perfeito para um jogo que, na verdade, tem muito mais a oferecer escondido. NINGUÉM esperava por isso. Mostrando que uma boa ideia e vontade são essenciais para um projeto.

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    1. Sim. Inclusive, a Engine utilizada para desenvolver o jogo é gratuita. São coisas como essas que a evolução da tecnologia nos proporciona... Várias ferramentas grátis que ajudam desenvolvedores a fazer jogos de forma MUITO mais barata e rápida. Show de bola.

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  2. Belo review cara, deixa bem claro o quanto esse jogo surpreende, e por favor quem não jogou, jogue antes!

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